Resumo Objetivo Refinar o Relato Familiar da Motricidade Grossa (GM‐FR) utilizando a contribuição dos pais e avaliar as suas propriedades psicométricas. Método Neste estudo metodológico, 12 pais de crianças e adolescentes com paralisia cerebral (PC), com idade entre 2 e 18 anos, classificados em todos os níveis do Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS), foram entrevistados sobre sua experiência na conclusão do GM‐FR (validade de conteúdo). O feedback dos pais foi usado para refinar o instrumento que foi então preenchida por 146 famílias para avaliar a consistência interna, e a validade discriminativa e concorrente. 46 pais completaram o GM‐FR novamente, 7 a 30 dias depois, para avaliar a confiabilidade teste‐reteste. Resultados A pontuação do GM‐FR, as imagens, as descrições e o número total de itens foram revisados com base no feedback dos pais. O GM‐FR versão 2.0 demonstrou alta consistência interna (α de Cronbach = 0,99), ausência de efeitos piso/teto e excelente confiabilidade teste‐reteste (coeficiente de correlação intraclasse = 0,99). Os escores do GM‐FR discriminaram entre os níveis do GMFCS ( p < 0,05) e foram fortemente correlacionados negativamente com o nível do GMFCS (r = −0,92; p < 0,001). Os escores do GM‐FR correlacionaram‐se de forma positiva e forte com o Gross Motor Function Measure‐66 (r = 0,94; p < 0,001) e com o domínio de mobilidade do Pediatric Evaluation of Disability Inventory – Computer Adaptive Test (r = 0,93; p < 0,001). Interpretação A participação ativa das famílias no desenvolvimento do GM‐FR facilitou a criação de um instrumento amigável à família. Este estudo fornece fortes evidências de confiabilidade e validade para apoiar o uso do GM‐FR na prática clínica e em pesquisas para avaliar o desempenho motor grosso de crianças e adolescentes com PC.